Vencendo o NaNoWriMo 2015 (ou como escrevi um livro em um mês)

Eu sei, já faz bastante tempo. Não me julguem! Bom, vamos pular as críticas sociopolíticas, os contos, e falar de coisa boa. Vamos falar sobre a tecpix aaaaaah esse cara é muito bom cazalbé contrata logo pelo amor de Deus!!!  o National Novel Writing Month (NaNoWriMo), esse velho conhecido dos escritores mundo afora. E como eu, após cinco anos de cadastro (e 25 de sofrência), terminei meu primeiro livro.

—–Aviso: este artigo contém altas doses de ego e piadas ruins. Vocês foram avisados—–

Não deixe seus sonhos serem sonhos.
Não deixe seus sonhos serem sonhos.

NaNoWriMo  é um desafio lançado a autores do mundo inteiro. A cada mês de novembro, os cadastrados são desafiados a escrever, até o dia 30, uma história de 50.000 palavras. Isso dá, em média, 1.667 palavras por dia, totalizando cerca de 100 páginas sem formatação.  O objetivo é trabalhar a disciplina dos envolvidos, sem espaço para revisão ou auto-sabotagem. O “national” se resume a região dos EUA, onde ele se liga a acampamentos e escolas por todo o ano letivo, o que não significa falta de iniciativa por conta de outras regiões: no Brasil, por exemplo, teve um ciclo de palestras em São Paulo, além de write-ins marcados por todos os estados. O que me leva ao primeiro tópico.

1) A comunidade online é maravilhosa!

Falta de incentivo foi um dos motivos para eu não vingar nos últimos quatro anos. Eu não conhecia a existência do grupo oficial no facebook. E eu tenho que falar, o pessoal de lá é uma injeção de ânimo! Você encontra desde os monstros que escrevem 50.000 no primeiro dia de desafio (os “overachievers”), até os que sofrem para cumprir as metas do dia e não hesitam em compartilhar de seus sucessos… ou fracassos. Um número considerável de pessoas operando na mesma sintonia é algo que, considerando a sessão de agressões no feed de notícias de qualquer rede social, se julga impossível. Mas isso acontece de forma tão perfeita que o grupo não possui regras, cada um posta o que bem desejar, de screenshots e trechos de sua própria história até perguntas e textos motivacionais. Sem a briga de egos que toma as comunidades de escritas em geral.

Ter alguém para dividir a jornada é essencial. Compartilhei meu certificado com orgulho, e cada outro que aparece me preenche com a mesma sensação de vitória. Os que não cumprem a meta não deixam de ganhar a experiência necessária para a carreira das letras, e se eles não tem a consciência de tal coisa por conta da frustração, há um universo de gente para lhe convencer das próprias capacidades. Tipo família, mas sem o medo de julgamentos.

30 dias a base de café e guloseimas pra conseguir essa imagem.
30 dias a base de café, guloseimas e desconhecidos me aturando pra conseguir essa imagem.

2) Disciplina! Auto-confiança!

Lá estava eu, com o rascunho de um roteiro e personagens que não vingaram em outros textos. O hype da primeira semana foi enorme, eu ultrapassei as 2.000 palavras diárias. Daí veio a segunda, e com ela a pressão dos compromissos mundanos. Finanças precisam de gerenciamento. A geladeira não se enche sozinha, se alguém não for ao mercado. A ausência na Steam é questionada pelos meus amigos de jogatina e, principalmente, pelo aspecto viciado de minha alma.

Chega aquela cena crítica. A densidade do teclado aumenta, e o que eram 2.000 passam pra 1.000, que passam pra 800… Mas parar, nunca. O NaNo não me permite o luxo da folga. “O que vou escrever amanhã?” virou mais do que uma pergunta rotineira. Virou uma necessidade tão grande quanto respirar. E no final, por mais que o avanço do contador de palavras pese tanto quanto as pálpebras, eu consigo. Percebo, finalmente, que aquele demônio me impedindo de escrever não existe. Ele é uma desculpa para se fazer outras coisas.

Quando encerrei a história, faltavam 900 palavras. Foi onde eu quase joguei a porra toda pro alto... mas não importa o quanto você bate. Importa o quanto você aguenta apanhar e seguir em frente.
Quando encerrei a história, faltavam 900 palavras. Foi onde eu quase joguei a porra toda pro alto… mas não importa o quanto você bate. Importa o quanto você aguenta apanhar e seguir em frente.

Amadurecer, do amador que rabisca nas horas vagas ao profissional que depende da própria arte. Este é o maior legado do desafio, superado apenas por sua continuidade. Em outras palavras…

3) O oco foi deixado

Como assim, não entendeu? Eu explico: ao encerrar as 50.000 palavras, veio o dia seguinte. Senti o tempo livre escoando entre os dedos, e levei isso como uma recompensa. Eu escrevi meu primeiro livro, então nada mais justo do que hibernar e deixar os dedos caírem no joystick, não exatamente nesta ordem.

Então, veio o segundo. A impressão de algo muito importante a se fazer martelou meus ocipitais sem trégua. O que era? Eu finalmente compreendi quando, na calada da noite, me peguei adaptando o roteiro de uma história inacabada para se encaixar nos acontecimentos desta. Basicamente, é o que me leva a escrever este artigo ao invés de vagabundear. O NaNo deixou um sangramento que nunca vai se estancar: agora eu realmente preciso escrever. Isso faz parte de mim.

Como assim não entendi
Que delícia de referência, cara.

Isso significa posts mais frequentes por aqui? Não sei…

4) A ambientação

Este é um dos tópicos que julgo mais importante de se ressaltar. Nós, escritores, buscamos um local e hora perfeitos para o trabalho. Um espaço onde se dispõe de silêncio e isolamento, com nada além de seu notebook (eletrônico ou de papel), o barulho de chuva na janela, e uma xícara com algo bem quente do lado.

Spoiler: isso é impossível.

Você é obrigado a escrever com alguém lhe interrompendo de cinco em cinco minutos. Você tem de lidar com ligações, compromissos de surpresa, vizinhos barulhentos e, claro, a ira dos que lhe julgam mais ausente do que nunca. Esse tópico é na verdade um derivado do segundo… mas, repetindo, o destaque é necessário. É algo que eu aprendi na marra, privado da possibilidade de “deixar pra amanhã” . O que posso fazer? Ligar no dubtrack.fm e deixar uma rádio chillpop (ou de rock/metal, dependendo do clima) fazer as honras do isolamento, rezando para que ele continue pelo tempo necessário para encerrar mais um parágrafo. De resto, esse quadrinho explica.

E por falar em obstáculos…

5) Os personagens falam com o autor. E se revoltam. E o autor passa a odiar suas personalidades. 

Lembro de um dia em especial no meio da segunda semana. O protagonista está para encontrar sua namorada depois de uma turnê agitada pelo mundo, mas tem de enfrentar alguns eventos no caminho… seus próprios medos, os dias numa metrópole que lhe deixa ansioso, assistir a dita cuja fazendo Mortal Kombat com outras quatro num octógono. Partindo do momento em que ele viaja para a cidade dela, eu teria material para ao menos umas 30 páginas.

Então, os dois se fecham em um ultimato. “Queremos transar”, eles dizem. “Isso, ou segura um bloqueio aí, campeão”.

Situações parecidas definiram o avanço da história. A necessidade do vilão se tornar imprevisível e estragar o planejamento que definiu metade do enredo. O protagonista confirmar, com louvor, seu papel de possessivo babaca e infantil. A “companion” implorar para matá-lo e tomar seu lugar de direito como principal. A falta de controle sobre a própria criação foi um fardo, e também uma solução. Afinal, Macunaíma é um dos seres mais desprezíveis da literatura e se tornou um clássico… Qualidades e defeitos, muitos defeitos, são o que definem uma pessoa, e se tais características dominam os personagens a ponto de interferirem no que eu tracei para eles, significa que eu acertei na receita. A demanda por resultados me impediu de enxergar esses desvios como um defeito.

E eles só transaram quase uma semana depois. Quem manda nessa porra aqui, sou eu!

6) Futuro? Mais próximo do que ontem.

Sei que possuo nada mais do que um material bruto em mãos. A revisão vai levar bem mais de um mês, e as formas de se publicar são uma névoa se desenhando no horizonte. Mas tenho algo pronto, o que me coloca mil passos a frente de onde eu estava há um mês atrás. O que eu julgava impossível, na verdade possui um método simples de se alcançar. Trabalhoso, mas simples.

Vou revisar pra car#%)@#$, chorar pra car!@$@#!, achar que tá tudo meio bosta. Mas as coisas funcionam desse jeito
Vou revisar pra car#%)@#$, chorar pra car!@$@#!, achar que tá tudo meio bosta. Mas as coisas funcionam desse jeito

Definitivamente, participarei de 2016. E espero vencer de novo.

…ficou curioso sobre “Aleros depois da tempestade?”. Isso vem no próximo post, afinal, o blog precisa render conteúdo! Se você não aguenta esperar, dá uma olhada em meu perfil no NaNoWriMo, ou no artigo que escrevi pro Icathia.

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